JOAO LUIS - radialista - SANTA QUITERIA - CE

8/07/2008

Ação policial mata menino

Arquivado em: Ação policial mata menino — jluis @ 15:14

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Salvo por milagre: o irmão mais novo de João, um bebê de nove meses, também estava no carro, mas não foi atingido pelos tiros (Foto: Agência O Globo)

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Secretário afirma que um fato como esse não tem desculpa (Foto: FolhaPress)

Garoto de 3 anos estava no carro que foi confundido pela Polícia Militar do Rio de Janeiro com o dos assaltantes

Rio de Janeiro. João Roberto Amaral, 3 anos, morreu no fim da tarde de ontem. Ele foi baleado na cabeça durante uma perseguição de dois PMs a supostos assaltantes, na noite de domingo, no Rio. O menino havia sofrido morte cerebral nesta manhã.

O garoto estava no carro da mãe, Alessandra Amaral, na Tijuca (zona norte do Rio), quando os dois PMs começaram a disparar. O carro apresenta cerca de 20 perfurações de tiros. Os PMs afirmam que perseguiam ladrões de carro naquele momento e que confundiram o carro da família com o dos supostos assaltantes.

O Hospital Copa D´Or, onde João estava internado, informou que o menino morreu por volta das 16h30.

Investigação

O delegado Walter Oliveira informou que vai ouvir testemunhas que presenciaram o caso e afirmaram, informalmente, que viram os policiais atirando várias vezes no carro onde estava João. O pai do menino também afirmou que os tiros partiram dos policiais e disse ainda que eles atiraram quando o carro estava parado. ´Eles (PMs) metralharam o carro da minha mulher, não deixaram chance de defesa. Tinha criança dentro do carro. Quase que matam a família toda. Minha mulher está com o corpo cheio de estilhaços de carro´´, disse o pai de João Roberto, Paulo Roberto Amaral.

Gesto nobre

A família autorizou a doação dos órgãos, caso seja possível. O parecer será dado por uma equipe do Rio Transplante. Pela manhã, os médicos já haviam atestado a morte cerebral de João Roberto. Mas pela sua pouca idade, a legislação determina que nova bateria de exames seja realizada seis horas depois para confirmar o óbito.

Foram feitos um eletroencefalograma, que indicou não haver mais atividade elétrica no cérebro, e um doppler transcraniano, que constatou que não havia mais fluxo sanguíneo para as artérias cerebrais.

De acordo com o chefe da pediatria do Copa D´Or, Arnaldo Prata, o menino ´chegou em estado grave, com sinais sugestivos de morte encefálica (em coma profundo, sem reflexos e com as pupilas fixas e dilatadas)´. Ao ser transportado para o setor de tomografia, João Roberto teve uma parada cardíaca, revertida após 25 minutos de tentativas de ressuscitação.

No hospital do Andaraí, para onde tinha sido levado inicialmente, o menino havia passado por uma neurocirurgia para drenar o sangue no cérebro.

A bala que provocou a morte do menino entrou pela nuca, teve trajetória levemente ascendente, se fragmentando no interior do cérebro e se alojando próximo à região frontal. Além deste projétil, João Roberto também foi atingido sem gravidade na nádega esquerda e de raspão na orelha.

DEPOIMENTO
Desabafo: 'Que polícia é essa?'

Paulo Roberto Amaral
Pai do menino morto

Minha mulher me relatou que um Tipo preto passou por ela a mil e viu a patrulha vindo atrás. Ela encostou o carro, como todos nós faríamos para dar passagem à polícia, para perseguirem os bandidos. Eles não perseguiram os bandidos. Fecharam o carro da minha família e metralharam. Com minha mulher e duas crianças dentro. Uma criança de nove meses e outra de quatro anos. Meu filho tomou um tiro na cabeça e está lá dentro morto. Não houve troca de tiros. Se tivesse, haveria outro carro baleado. A minha mulher jogou a bolsa da criança pela janela, numa de alertar que tinha criança. Mas eles não pararam de atirar.

LAMENTAÇÃO
Secretário admite que ação de PMs foi desastrosa

Rio de Janeiro. O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, chamou de ´desastrosa´ a ação de dois policiais militares que balearam João Roberto Amaral durante perseguição a bandidos.

Em entrevista concedida na tarde de ontem, ele ainda pediu desculpas aos familiares do garoto. Beltrame afirmou que ´um fato como esse não tem desculpa´. ´Foi uma ação desastrosa. Eu, como pai e policial, me sinto constrangido com essa situação. Houve um total despreparo e falta de discernimento dos policiais´.

O secretário disse ainda que espera que as investigações apontem para a clareza do caso: ´Espero que a resposta das investigações diga toda a verdade do fato e que os responsáveis sejam punidos. É lamentável que os próprios policiais, que colaboram com a política de segurança para reduzir o número de homicídios, tenham uma atitude dessas´, lamentou. De acordo com Beltrame, o estado precisa de mais policiais, a curto prazo, para inibir a ação de marginais.

O secretário ponderou que os policiais que atuam no bairro da Tijuca estão sob constante tensão. ´O policial que sai para a rua em um domingo a noite em uma zona que tem 19 morros já sai preparado, vigilante.´ Ele aproveitou para anunciar que a Secretaria irá inaugurar hoje uma espécie de universidade para formação de policiais.

 
fonte:DN 

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